Antropologia e Meio Ambiente

Universidade: Unicamp
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Disciplina: Antropologia e Meio Ambiente
Ano: 2o semestre 2005
Professor: Mauro Almeida
Prova Final

Baseada na questão um sugerida pelo professor e inspirada nos textos A Lição das Vacas Loucas de Lévi-Strauss, (Em defesa dos) Pelos direitos animais de Tom Reagan e O Pensamento Selvagem de Lévi-Strauss, assim como no filme-documentário Meet Your Meat produzido pelo grupo PETA (People for the Ethic Treatment of Animals), proponho uma discussão sobre a dor nos animais.

Os animais sentem algo além da dor física, dos aspectos físicos relativos ao sistema nervoso? Ou sentem também a dor da decepção, da frustração, da traição?
Os grupos vegetarianos colecionam dezenas de excelentes argumentos a respeito dos destratos e maltratos com animais. Mostram cenas chocantes, analisam o comportamento dos animais, desenvolvem teorias, tudo para provar que eles sofrem sim com as atitudes do Homem e que é sacanagem simplesmente ignorar esse fato. Porém, não provam cientificamente. E, hoje em dia, o que é um bom argumento sem provas científicas?
Ao que me parece, o momento agora é de transição. As eras cartesiana e científica estão sendo aos poucos questionadas e reavaliadas. Esses pensamentos não são mais suficientes para resolver as questões que a sociedade impõe. Não há mais espaço para medidas paliativas ou soluções parciais, qualquer problema explícito está associado a diversas outras questões que têm de ser pensadas junto, como um sistema, um pensamento sistêmico, onde uma parte tem influência direta na outra.
Ao mesmo tempo, a ciência descobre que não é aceita como solução em todos os setores da sociedade, apesar de ainda requisitada pela maioria. Muitos estão percebendo que provar a veracidade de algo não depende necessariamente de fórmulas matemáticas e componentes químicos, basta boas argumentações para a teoria ser bem aceita ou, indo mais além, apenas o sentir que aquilo é correto, uma certa intuição. Não é muito científica essa forma de pensar, mas justamente por isso a proponho.
Tom Reagan, por exemplo, em (Em defesa dos) Pelos direitos animais, através de extensa argumentação lógica que desenvolve através da pontuação de alguns conceitos  o conceito da obrigação indireta, o contratualismo, a idéia de moral, a teoria da crueldade-bondade, o utilitarismo, valor inerente, perspectiva dos direitos  demonstra categoricamente uma teoria em defesa dos direitos animais sem entrar em contradição.
Nesse mesmo texto, Tom Reagan defende, entre outras coisas, a completa abolição do uso de animais na ciência devido à crueldade em que se transforma a obtenção de conhecimento por esse meio, à dor e sofrimento causados. Entendo isso como abolição à experimentação animal. Algo parecido, porém diferente, seria falar em conhecimento animal; uma ciência da natureza sem experimentações; compreendê-los enquanto seres vivos, enquanto sociedade. Homens e animais (se é que ambas palavras não são sinônimos), com relações afetuosas ou não, vivendo em unidade e solidariedade, comunicando-se entre si, e não um servindo ao outro ou um massacrando o outro. Talvez aqui surja a dúvida de como então a medicina pode continuar? Algo bom para nós seres humanos e que deve ser testado em animais em laboratório antes de chegar em algum ser humano. Ora, não me fale de evolução e avanço da tecnologia se não há avanço e evolução da criatividade. O primeiro passo, como disse Reagan, é crer no erro que cometemos ao judiar de tantos animais e compreendê-lo. A partir disso, o segundo passo é ativar a criatividade utilizando as possibilidades restantes. Como falar na inteligência do ser humano e em sua evolução, se não somos capazes de pensar num método medicinal que não envolva experimentação animal?
A ciência pode ser reconceituada, pode-se adquirir conhecimento do mundo animal e ao mesmo tempo ser afetuoso ao bichinho. Por outro lado, a ciência, enquanto o que hoje sabemos dela, em alguns momentos não tem nem espaço de existir. Não é necessário fazer testes de ondas cerebrais em cada espécie de animal para perceber que existe dor no momento em que são destratados. Não é necessário medir a intensidade da dor em cada bicho de espécie diferente. Para isso, a observação, a sensibilidade e a comunicação são suficientes. Três casos como ilustração:
Na relação entre animal e Homem, se há amizade enternecida e este causa algum mal ao animal, há dor psicológica além de física. Talvez em alguns até mais do que em outros. Como posso ter certeza? Vê-se na reação do bicho, vê-se em seus olhos, sente-se pela comunicação que ele tem com você. Imagine que você acabou de brigar com seu cachorro. Como ele está se expressando neste momento? Você sente que algo mudou nele depois da bronca? Se abrir os olhos, acredito que verá.
Analisando as relações intraespecíficas, como, por exemplo, entre lobos de um mesmo bando, também encontro a dor psicológica. Quando um componente é expulso do grupo, a dor de ser banido pelos companheiros de vida existe. A dor e o medo, e pode ser provada da mesma forma que a anterior, observando. Depois a dor é superada, pois o animal tem de se preocupar em sobreviver sozinho.
Nas relações entre espécies talvez não haja dor psicológica por não haver amizade enternecida entre eles, mas sim amizade de interesses, tal qual o jacaré e o pássaro, o tubarão e o peixe, como aprendemos no colégio.
Portanto, o que proponho é algo que já foi dito, uma nova ciência, a ciência dos sentidos, da intuição, a qual já vejo surgir em diversos setores da sociedade, explícita em suas discussões. A ciência da era sistêmica e da não aceitação de abusos experimentais em seres com tanta importância de vida quanto nós. E esta com certeza prova, cientificamente, que animais sentem física e sentimentalmente.

Bibloigrafia:
Está escrita na introdução desta avaliação

por F

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